terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Eleições em Israel

O processo eleitoral em Israel é bem diferente do que se está acostumado a ver no Brasil e na maior parte dos países da América do Sul.

Israel é um país parlamentarista-presidencialista e o congresso ou parlamento daqui é formado por 120 deputados. O Parlamento israelense, que em hebraico se chama knesset é unicameral, não sendo dividido em deputados e senadores.

Durante a eleição todos são eleitos como membros do knesset, possuindo nesse momento igualdade de condições. Após as eleições, os membros do knesset,sob orientação do presidente, escolhem, dentre aqueles que foram eleitos, quem será o primeiro-ministro.

Em Israel não se vota em pessoas, mas em partidos. Os partidos fazem eleições internas e elaboram uma lista, com seus possíveis deputados . Essa lista é divulgada com os candidatos já em ordem.
Ou seja, o primeiro candidato da lista é o líder do partido, e caso o partido tenha direito a apenas um assento será ele (a) que assumirá. Se o partido tiver direito a mais um assento, o eleito será o segundo da lista e assim sucessivamente.

Para que um partido consiga um assento no knesset ele precisa atingir pelo menos 2% dos votos válidos. Para os demais assentos é feito um cálculo entre a relação de votos válidos e o número de votos válidos destinados aquele partido.

Uma vez eleitos, é interessante que os membros do knesset formem coalizões entre si, uma vez que para que o primeiro-ministro seja eleito é necessário que haja maioria absoluta de votos para ele (mínimo de 61).

Caso não haja concordância entre os membros do knesset é preciso dissolver o congresso e solicitar, o mais breve possível, uma nova eleição, já que eles entendem que sem maioria não há governabilidade.

Em Israel, como na maior parte dos países do mundo o voto NÃO é obrigatório. Porém é um direito que todos podem exercer e assim sendo, o dia das eleições é feriado.

Israel tem cerca de 5 milhões e meio de eleitores e todos recebem em casa um cartãozinho informando o local onde deverão comparecer para votar. Também é possível consultar o local de votação pela internet ou solicitar informações via SMS.

Cartão do eleitor com local de votação.

Verso do cartão.
Em Israel não há título de eleitor, para votar basta levar a identidade, ou carteira de motorista ou o passaporte israelense.

Estas eleições agora de 2013 estão se mostrando sem grandes novidades, tudo parece correr dentro do esperado. Embora desde o início esteja se travando uma batalha entre os partidos Licud, de direita, do atual primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, o Avodah, de esquerda, liderado por Shelly Yachimovich, que fez uma oposição forte e inteligente ao longo destas eleições e o Yesh Atid que se auto-intitula um partido de centro e é liderado por Yair Lapid, que é um ex jornalista. o partido é novo e tem propostas interessantes, também de oposição à direita.

A votação terminou agora há pouco, às dez da noite, e segundo as pesquisas de boca de urna, o Licud fez 31 assentos, o que ficou um pouco abaixo das previsões de alguns dias atrás. Ainda segundo as pesquisas de boca de urna o Yesh Atid teria feito 19 assentos e o Avodah 17.

O número de eleitores que compareceram às urnas também superou em muito as expectativas, chegando a quase 70%.

Os resultados das eleições devem sair durante a madrugada. Se esses números se confirmarem, vamos ver como o Knesset se entenderá, uma vez que a esquerda e a direita estão bem equilibradas.




22 comentários:

  1. curti!!!!!muito legal,que yeshua te abencoe e te proteja dia após dia ai em Israel um abraco!

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    1. Pena que você não se identificou, mas enfim, muito obrigada e que Ele proteja a todos nós.
      Abraços. :)

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  2. Já comentei várias vezes seus posts aqui no blog, mas nunca me identifiquei; cadastrei-me então no Blogger.

    Ótimo post, como sempre, né. Chegaste a votar? Se sim, em quem? rs

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    1. Ok Shlomo, é um bom codinome! rsrs.

      Sim, eu votei.

      Eu sou de esquerda, sempre fui, votei no Avodah, mas confesso que pensei bastante em votar no Yesh Atid.

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    2. Hmm... então és esquerdista... *suspiros*. Rsrsrs!
      Acho que eu teria votado no הבית היהודי.

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  3. Yaheli , desculpe incomodar poderia de relance nos explicar quais as principais ideias e bandeira que cada partido defende ou seja a principal motriz de cada um aí em Israel ?

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    1. Explicar partido por partido, acho meio perda de tempo,já que alguns são muito parecidos, mas sobre a direita e a esquerda vou falar sim, até porque depois que "Os eleitos" do momento definirem quem vai ser o primeiro-ministro, infelizmente devem mesmo reconfirmar o Netanyahu, eu vou escrever sobre e aí dou uma explicada mais ampla sobre as questões e coligações partidárias, ok?

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  4. Shalom Yaheli.
    Achei o sistema dai muito inteligente.
    Pelo seu voto, deduzo que são as esquerdas ai é que devem beneficiar mais os Olym ?
    Acho que a maior questão nessa eleição foi a questão da economia na classe média. O que acha ?
    Aqui só se falava de Bibi X Iran ... srsrsrsr
    Shalom;
    Gabriel

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    1. Israel não tem pobreza, então acho que a maior questão de todas as eleições daqui é sempre a classe média.

      Mas, os principais temas discutidos foram: benefícios sociais, remédios que devem ser gratuitos na cesta de medicamentos, acabar com o benefício dos haredis (judeus ultra-ortodoxos) de não servirem as forças armadas e diminuição do custo social para a classe média (acho que esse foi o principal assunto).

      O assunto do Irã não foi tema por aqui, o que foi um pouco discutido foi sim a disponibilidade de quem assumisse em reconhecer a Palestina como país.

      Basicamente, a esquerda e o centro se preocupam mais com a classe média e questões sociais e a Direita com questões religiosas e grandes empresas.

      Na questão da defesa e tecnologia não há muita divergência, Israel tem que ser o melhor ou um dos melhores do mundo nessa área e ponto final.

      Agora sobre os Olim, confesso que não sei, primeiro porque não faço mais parte desse grupo e segundo porque nem ouvi falar disso em nenhuma das campanhas.

      Eu sou cidadã israelense de classe média ou talvez média alta para os padrões e foi baseado nisso e no que eu espero para o futuro de Israel que eu votei.

      Para dizer a verdade, no dia a dia, eu nem me lembro que não nasci aqui. Minha vida é plenamente integrada, o fato de eu ter feito aliah há 4 anos ou a há 10 não tem mais qualquer interferência na minha vida. Não tenho mais nenhum benefício, nenhuma vantagem ou desvantagem em função disso.

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    2. Nossa! Como você melhorou suas condições de vida. Se sente israelense, nunca mais pensa voltar para o Brasil?

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    3. Bem, eu não me sinto israelense, eu sou israelense! E não, definitivamente eu não tenho a mínima pretensão de voltar ao Brasil.

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    4. hahhahahahahha ...
      Shalom Yaheli, definitivamente resposta digna de uma Sabra, tanto no conteudo, quando no tom.
      Uma verdadeira resposta "desproporcional" ... rsrsrsrssr
      Muitos nem sabem das condições de vida de Israel, país evoluido, abençoado e vencedor !
      Muitos deveriam ler seu blog pra se informar melhor.
      Gabriel

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  5. Esqueci ... Parabéns pelos mais de 35 mil acessos !!!
    Continue assim, daqui a pouco vai ter mais votos que muito politico no Knesset ... rsrsrs
    Shalom;
    Gabriel

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    1. Pois é, o blog está chegando a 500 acessos diários e eu já não tenho mais conseguido responder a todo mundo. rsrs

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  6. Obrigada Yaheli , fico aguardando o post sobre os partidos , vc comentou sobre a classe média e a questão da pobreza , percebo que Israel é realmente um país que dá condições ao seu povo , quanto a sua integração ao país me deu uma curiosidade no sentido de que tudo hoje em dia para vc está tão comum a vida aí pelo fato do país te dá essa condição ou isso é da pessoa ? realmente o blog tá como diz mineiro êta trem bão demais de ler ...

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    1. Boa pergunta! Não sei responder! rsrs.

      Olha, Israel te dá toda condição do mundo de se integrar e ter uma vida plena, desde benefícios sociais até a boa receptividade no mercado de trabalho tudo é muito positivo.

      Mas, não posso negar que o fato de eu já vir de uma experiência fora do Brasil, o fato de eu falar inglês fluentemente, e o fato de eu não ser obcecada com a ideia de ter amigos instantâneos e portanto poder fugir desses ambientes de segregação, como são essas pseudo-comunidades/associações que tem a função única de te alijar da sociedade israelense e te oferecer um fantástico emprego no ramo de limpeza, com o incrível bônus de poder conviver com pessoas que falem espanhol e vez por outra português, também contribuíram bastante.

      Então, acho que posso dizer que é um pouco de tudo e um pouco de sorte também. rsrs

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  7. Ah Yaheli , amei sua resposta , quem me dera poder dizer tbém não tenho a minima pretensão de voltar ao Brasil rsrsrsr Você tem e teve mt sorte , parabéns !

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  8. Olá Yaheli !!!!!!!!
    AMO,AMO,AMO seu blog.Através de seu olhar eu e minha família decidimos fazer o aliah.Amo como dá todas as respostas com tanta propriedade e assertividade,e concordo plenamente no que diz sobre a integração na sociedade israelense,principalmente no que diz respeito aos guetos.
    Realmente não vemos a hora de com o maior orgulho nos tornarmos cidadãos de um dos melhores países do mundo.
    -Perguntinhas básicas:estamos pensando em Eilat,sabemos que é uma cidade barata,mais,é um bom lugar para morar e trabalhar com turismo?Aí em Israel existe mercado de locação de vestidos de noivas?Ou só venda de vestidos?Pois aqui trabalhamos com isso.

    Desde já,obrigadíssima.

    Parabénsssssssssss

    Val

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    1. Oi Val, que bom que gosta do blog e que bom que estão vindo! :)

      Olha, Eilat é uma cidade complicada, é a cidade mais quente de Israel, não é tão barata, é apenas um pouco mais barata e é longe de tudo, não tem nada, nenhuma outra cidade perto.

      A cidade mais perto de Eilat é Arad que outra cidade que não tem muita coisa além de ficar a mais de duas horas de distância. A cidade grande mais próxima é Beer Sheva que fica a umas três horas e meia de distância.

      Eilat é uma cidade linda, mas é só! O forte do turismo é no verão, até existem projetos de inverno que estão tentando implantar, mas ainda não engrenou.

      O verão em Eilat é causticante, o inverno não é tão frio e é também muito seco. Eu também pensei em morar lá quando viemos para cá, mas é uma decisão complicada. Você vai ficar presa lá, não tem como trabalhar em outra cidade, por exemplo. Não é uma roça, tem tudo lá, mas é uma cidade isolada, mas ou menos como viver numa ilha. É o tipo da decisão super pessoal.

      Sim, existem lojas de aluguel e de venda de vestidos de noiva em Israel, não sei maiores detalhes sobre o assunto, mas sei que existem várias e de vários estilos (mais árabe, mais marroquina e claro no nosso estilo ocidental).

      Super beijo

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    2. Olá Yaheli,
      muito obrigada pela sua resposta,decididamente,também descartamos Eilat,somos extremamente exploradores,e a distância dificultará conhecermos todo o país,e ainda,temos um filho em idade escolar(11 anos),e apesar de ainda não sabermos bem como funcionam escolas e cursos,necessitamos estar em uma cidade com melhor e maior acesso.
      Desculpe-me a chatice,mais tenho mais umas perguntinhas para vc,caso prefira,pode responder por email "val_portes@yahoo.com.br" .
      _ Vale a pena levar computador daqui,ou vale mais a pena comprar novo aí?
      _Li num post anterior que a energia elétrica aí,é 220 volts,existe transformador para comprar,para usar alguma coisa em 110 ?
      _Qual a média de preços de um apartamento ou casa por Ashdod/Nazaret?
      _Qual a média de preços de carros tipo sedan,2006 a 2010?

      Desde já,muito obrigada.

      Val

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  9. Sempre achei o sistema parlamentarista bem mais interessante do que o o imperalismo no sistema presidencialista. Era essa sistema que deveria ter no Brasil. Separar e equilibrar os podores. Presidente, o Chefe de Estado, Primeiro-ministro, o Chefe de Governo. Pronto! Nunca é bom dar muitos poderes a uma única pessoa. Além do sistema parlamentarista ser bem mais flexível. Se não formarem ou perderem governabilidade, o presidente dissolve o parlamento e convoca novas eleições. Acho que o sistema parlamentarista valoriza mais os partidos, e não, a figura dos deputados e senadores tranformando-os em entrelas pop da política, como acontece aqui, me enoja esse personalismo que acontece aqui no Brasil no meio político.

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    1. Eu acho que você tem toda razão. Na teoria o sistema parlamentarista é melhor, mas não acho que daria certo no Brasil. Acho que parlamentarismo requer maturidade eleitoral por parte do povo, uma vez que dá muita flexibilidade aos congressistas.

      Infelizmente num Brasil de mensalões e "Renans Calheiros" não dá para acreditar que esses caras fariam coligações partidárias em prol do povo, fariam sim, com muito mais facilidade conchavos políticos em prol do próprio bolso. Lamentavelmente!!!

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